Resistência a Antibióticos Pode Matar 39 Milhões Até 2050: Um Alerta Global

A resistência antimicrobiana (RAM) está se consolidando como uma das maiores ameaças à saúde global do século XXI. Segundo um estudo publicado pela revista científica The Lancet, mais de 39 milhões de pessoas podem morrer até 2050 devido a infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos. A maior parte dessas mortes — cerca de um terço — deve ocorrer no sul da Ásia, incluindo Índia, Paquistão e Bangladesh.

O levantamento é parte do Projeto de Pesquisa Global sobre Resistência Antimicrobiana, que analisou dados de 204 países e territórios entre os anos de 1990 e 2021, projetando cenários futuros até 2050.

O que é resistência antimicrobiana (RAM)?

A resistência antimicrobiana acontece quando bactérias, vírus, fungos e parasitas evoluem e se tornam resistentes aos medicamentos que costumavam eliminá-los, como os antibióticos. Esse fenômeno dificulta o tratamento de infecções comuns, aumentando o risco de complicações graves, hospitalizações prolongadas e óbitos.

Mortes diretas e indiretas em números alarmantes

O estudo aponta que, até 2050:

  • 1,91 milhão de mortes por ano serão diretamente atribuídas à resistência a antibióticos;
  • 8,22 milhões de mortes anuais estarão associadas indiretamente a essa resistência.

Se nenhuma medida for adotada para conter essa tendência, o crescimento das mortes pode chegar a 67,5% (diretas) e 74,5% (associadas) em comparação com os números de 2021.

Crianças x idosos: uma inversão preocupante

Entre 1990 e 2021, o número de mortes por resistência antimicrobiana entre crianças com menos de 5 anos caiu 50%. Por outro lado, as mortes entre pessoas com mais de 70 anos aumentaram mais de 80%, refletindo o impacto do envelhecimento populacional e o uso frequente de antibióticos nessa faixa etária.

Soluções para frear a resistência a antibióticos

Apesar do cenário preocupante, o estudo também traz caminhos possíveis para evitar esse colapso:

  • Melhorar o atendimento a infecções graves
  • Desenvolver novas vacinas
  • Reduzir o uso indiscriminado de antibióticos
  • Investir em alternativas naturais e estratégias de prevenção

A equipe de pesquisa estima que, com ações coordenadas e eficazes, 92 milhões de vidas podem ser salvas entre 2025 e 2050.

Qual o papel dos microrganismos benéficos?

Enquanto as “bactérias do mal” se tornam mais resistentes, é urgente valorizar as “bactérias do bem”, como os probióticos, pós-bióticos e outras cepas microbianas benéficas. Esses microrganismos contribuem para o equilíbrio da microbiota, fortalecem a imunidade e reduzem a necessidade de antibióticos em diversos casos — tornando-se aliados poderosos na luta contra a RAM.

Conclusão

A resistência a antibióticos não é um problema do futuro — é uma realidade atual que exige respostas imediatas. A ciência já aponta os caminhos. Cabe a governos, profissionais de saúde, indústria e sociedade civil agir agora para evitar uma crise de saúde pública de proporções globais.

📖 Leia a matéria completa AQUI e aprofunde-se no tema.

Fonte: DEUTSCHE WELLE BRASIL

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